Douglas Germano: O Novo Álbum ‘Branco’ Consolida o Bambam da Vila Matilde no Panteão do Samba Paulista

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Douglas Germano lança ‘Branco’, um mergulho profundo na sua arte e ancestralidade

Dez anos após Elza Soares imortalizar “Maria da Vila Matilde”, o compositor e multi-instrumentista Douglas Germano, figura central nos terreiros e quadras de samba de São Paulo, apresenta seu novo álbum, ‘Branco’. Lançado de forma independente em 19 de setembro, o trabalho é um reflexo fiel da sua trajetória e de sua visão artística singular.

Germano, que já teve composições gravadas pelo Fundo de Quintal em 1991, consolidou sua carreira fonográfica após o sucesso estrondoso de “A Mulher do Fim do Mundo”, álbum de Elza Soares que apresentou ao Brasil a força de suas letras e melodias. Desde então, o artista presenteou o público com obras aclamadas como “Golpe de Vista” (2016), “Escumalha” (2019) e “Partido Alto” (2021).

‘Branco’, gravado entre março e junho de 2024 no Estúdio Eifel, em Santo André (SP), é uma obra concebida em grande parte pela genialidade solitária de Douglas Germano. O artista assina a direção artística, produção musical, arranjos e todas as 12 faixas inéditas, além de emprestar sua voz e dominar um impressionante arsenal de percussões, cavaquinho e violão.

Um Disco de Múltiplas Faces e Profundas Raízes

A riqueza sonora de ‘Branco’ se manifesta na diversidade de instrumentos tocados por Germano, que incluem ferros, atabaques, tamborins, pandeiros, triângulo, surdo, cuíca, caixa, zabumba, agogô e berimbau. O toque do violoncelo, por sua vez, é compartilhado com o músico convidado Thiago Faria, adicionando uma camada melódica sofisticada ao álbum.

As 12 faixas inéditas contam com parcerias líricas importantes. Luiz Antonio Simas contribui com os versos de “Desbancando Gordon Banks”, “Xaxará” e “Tudo é Samba”, esta última evocando a musicalidade de João Bosco e Aldir Blanc. Alfredo Del-Penho e Roberto Didio também assinam letras em “Ramo” e “Zelite”, respectivamente, enriquecendo o discurso poético do álbum.

Fé Afro-Brasileira e Consciência Social em Cada Nota

Em “Xaxará”, um dos destaques do álbum, Douglas Germano canta: “O Xaxará chacoalha quando chama / A peste, a morte, a vida rara / E no chacoalhar ampara o drama / De quem mora entre o morro e a lama”. Essa passagem encapsula a essência de ‘Branco’, um disco que transita com maestria entre a fé afro-brasileira e a crítica social, demonstrando uma aguda consciência política e humana.

O álbum é, portanto, mais uma afirmação do talento de Douglas Germano, um artista que, lapidado nos terreiros e nas quadras de samba, continua a expandir os horizontes da música brasileira com sua autenticidade e profundidade. ‘Branco’ é um convite para mergulhar no universo deste bamba paulistano, cuja obra pede (e merece) cada vez mais reconhecimento.

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